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sábado, 7 de novembro de 2009

Entre o Útero e a Sepultura



Saí da escuridão do útero



Vou para a escuridão da sepultura,



Entre os dois abismos negros,



Num estreito feixe de luz, eu vivo.





Não sem sentido,



Não como se soubesse o real sentido,



Apenas vivo.





Sigo em plena gestação de alguns poucos anos,



Sendo formado a cada dia no útero da vida,



Lentamente, constantemente, integralmente...





Por vezes me sinto incomodado



E chuto o ventre que me acomoda,



Nestes momentos sinto a mão suave



A acariciar-me e a falar com carinho:



- Calma, filho! Falta pouco para você nascer!





Talvez a palavra “Parto”



Seja irmã da palavra “Partir”.

sábado, 11 de julho de 2009

Logos

Adoro a Palavra de carne e sangue
Que pariu a luz
Na força de uma única palavra:
Haja!

Adoro a Palavra ensangüentada,
Transpassada, abandonada...
Que silenciosamente calou a morte
E fez gritar a vida.

Adoro a Palavra alvissareira
Arauto das boas notícias
A derramar verdade
Sobre nossas cabeças.

Simplesmente adoro a Palavra.

Por: Clauber Ramos

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O Poeta e a Estrela

Ao contemplar a estrela
Deus chorava sozinho
E molhava a noite de sal.

As lágrimas que caiam
Espelhavam o infinito brilho
Enchendo a noite de sol.

Sal e sol se misturavam
Condensados ao brilho
Surgindo o primeiro mar.

Do mar então veio a terra,
Da terra as plantas e bichos
Parindo vida e sentido.

Diante de tanta beleza
O Deus poeta tão só,
Ansiou compartilhar.

E num rompante de poesia
Imerso em imensa alegria
Criou o homem e a mulher

Parecia que agora
Deus teria companhia
Para olhar a estrela,

Mas a mulher e o homem
Não enxergaram a poesia
De um bate-papo com Deus.

Porém a solidão do criador
Não é solidão humana,
Não se cansa de esperar.

Assim sempre que alguém,
Aquela estrela admira
Vira Poeta e amigo de Deus.

De Clauber Ramos